Com estas mãos
Cultivarei o chão da manhã.
Com estas mãos
ainda algemadas.
Não importa o sangue,
se ele brota dos meus dedos
ou da terra ferida.
Não importa se a colheita de luz tarda,
ou se os depósitos da noite permanecem intactos.
Não importa que a passagem do inimigo
só tenha deixado destroços.
Cultivarei o chão da manhã,
embora, hoje, eu deva recompor
o corpo de meu irmão feito em pedaços.
Não importa se tarda a colheita de luz.
Poema de Pedro Tierra, escrito em 1974, dedicado a Virgílio Gomes da Silva “Ao companheiro Jonas, torturado até a morte em 29 de setembro de 1969”, contido no livro Poemas do Povo da Noite. |